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A Igreja da América Latina vivenciou nos últimos tempos a preparação, realização e agora faz a recepcção do evento “Aparecida”, a conferência dos bispos do continente que iniciou com a visita e encontro com o Bento XVI, atual papa.
O texto dos bispos recebeu aprovação, tornando-se oficial, não somente para a América Latina e Caribe, mas para a igreja universal.
Teólogos, estudiosos debruçam-se sobre o documento, procurando analisá-lo e colocando em evidência seus pontos fortes e fracos. Alguns destes elementos, convém enfatizar:
1)O Documento de Aparecida retomou o método consagrado pela teologia da latino-americana: ver, julgar e agir, que tinha orientado explicitamente os documentos das conferencias de Medellín e Puebla: Em continuidade com as conferencias anteriores do episcopado latino-americano, este documento utiliza o método ver-julgar-agir... Este método nos permite articular, de modo sistemático, a maneira de ver a realidade a partir da fé, a utilização de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e análise de modo crítico e, conseqüentemente, projetar o agir como discípulos missionários de Jesus Cristo (DA 19).
2)O Documento reafirmou a Opção Preferencial pelos Pobres. Os bispos confirmaram, sustentados pela própria palavra do papa que essa opção não é circunstancial ou conjuntural. Ela é da essência mesma do cristianismo: “Nossa fé proclama que ‘Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem’. Por isso, a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza. Esta opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo, Deus feito homem, que se fez nosso irmão” (DA 392). No parágrafo seguinte, os bispos afirmam: “Se esta opção é implícita à fé cristológica, os cristãos, como discípulos e missionários, estamos chamados a contemplar no rosto sofrido de nossos irmãos, o rosto de Cristo, que nos chama a servi-lo, neles” (DA 393).
3) Os bispos confirmaram a importância das CEBs, espaço eclesial que mantém viva a memória e prática de Jesus, mesmo na ausência de clérigos. São leigos e leigas que sinalizam, na escuta da Palavra e no comprometimento com ela a mensagem de Jesus. “As CEBs, no seguimento de Jesus, têm a Palavra de Deus como fonte de sua espiritualidade e a orientação dos pastores como guia que garante a comunhão eclesial. Desenvolvem seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados e são expressão visível da Opção Pelos Pobres” (DA 179).
Todos os que atuamos no campo da Aids, recebemos também uma palavra de alento dos bispos reunidos em Aparecida. Eles foram sensíveis ao nosso apelo e podemos, agora com alegria, partilhar que o documento trata o tema do HIV e Aids em três perspectivas:
1) Reconhece que a epidemia existe e é uma preocupação para a igreja. Em três lugares no documento, os bispos manifestam sua relevância:
a)“nos preocupam também os usuários de drogas, os portadores de necessidades especiais, os doentes de tuberculose, malária e HIV/aids, que sofrem de solidão e se vêem excluídos da convivência familiar e social” (DA 65).
b)tratando da situação de pobreza das crianças e adolescentes, enumeram como uma das situações mais difíceis “as crianças portadoras de HIV” (DA 199)
e)enumerando os novos rostos de pobres que a globalização faz emergir em nosso continente, os bispos citam, entre muitos outros “os doentes de HIV” (DA 402)
2)Em segundo lugar, a Igreja assume o compromisso claro de atuar neste contexto da epidemia. Por isso os bispos sugerem que em todas as dioceses (“igrejas particulares”) seja fomentada uma pastoral específica para esse serviço: “consideramos de grande prioridade fomentar uma pastoral com pessoas que vivem com HIV/aids, em seu amplo contexto e em seus significados pastorais:que promova o acompanhamento integral, misericordioso e a defesa dos direitos das pessoas infectadas; que implemente a informação, promova a educação e a prevenção, com critérios éticos, principalmente entre as novas gerações, para que desperte a consciência de todos para o controle desta pandemia” (DA 421).
3)Significativa é também a palavra dos bispos, em sintonia com as metas do milênio, de defender o acesso universal dos medicamentos: “Desde a V Conferencia pedimos aos governos o acesso universal dos medicamentos para a aids nas doses necessárias” (DA 421).
Diante desta palavra oficial da igreja, cabe aos que estamos envolvidos e comprometidos com a prevenção e o acompanhamento das pessoas que vivem e convivem com HIV, redobrar nossos esforços e iniciativas para que a vida seja defendida como bem maior. Ao mesmo tempo, precisamos caminhar para que os diretamente afetados pelo HIV possam tornar-se protagonistas de sua caminhada e sujeitos da ação evangelizadora.
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