Porto Alegre, 10 de de 2010

REDE CATÓLICA FRENTE AO

América Latina e Caribe / RECALAC-SIDA

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Boletins

 

Rede Católica frente ao HIV/Aids - América Latina e Caribe

 

 

Boletín Informativo

Agosto/2007 – Año I – Nº 10

  

Boas Notícias de Aparecida

 

     Fr. José Bernardi, Secretário Executivo da Pastoral da Aids faz a seguinte reflexão sobre o Documento de Aparecida:

     A igreja da América Latina vivenciou nos últimos tempos a preparação, realização e agora faz a recepção do evento “Aparecida”, a conferência dos bispos do continente que iniciou com a visita e encontro com o Bento XVI, atual papa.

     O texto dos bispos recebeu aprovação, tornando-se oficial, não somente para a América Latina e Caribe, mas para a igreja universal.

     Teólogos e estudiosos debruçam-se sobre o documento, procurando analisá-lo e colocando em evidência seus pontos fortes e fracos. Alguns destes elementos, convêm enfatizar:

  1.      O Documento de Aparecida retomou o método consagrado pela teologia latino-americana: ver, julgar e agir, que tinha orientado explicitamente os documentos de Medellín e Puebla: Em continuidade com as conferências anteriores do episcopado latino-americano, este documento utiliza o método ver-julgar-agir... Este método nos permite articular, de modo sistemático, a maneira de ver a realidade a partir da fé, a utilização de critérios que provêm da fé e da razão para seu discernimento e análise de modo crítico e, conseqüentemente, projetar o agir como discípulos missionários de Jesus Cristo (DA 19).
  2.      O Documento reafirmou a Opção Preferencial pelos Pobres. Os bispos confirmaram, sustentados pela própria palavra do papa que essa opção não é circunstancial ou conjuntural. Ela é da essência mesma do cristianismo: “Nossa fé proclama que ‘Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem’. Por isso, a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza. Esta opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo, Deus feito homem, que se fez nosso irmão” (DA 392). No parágrafo seguinte, os bispos afirmam: “Se esta opção é implícita à fé cristológica, os cristãos, como discípulos e missionários, estamos chamados a contemplar no rosto sofrido de nossos irmãos, o rosto de Cristo, que nos chama a servi-lo, neles” (DA 393).
  3.      Os bispos confirmaram a importância das CEBs, espaço eclesial que mantém viva a memória e prática de Jesus, mesmo na ausência de clérigos. São leigos e leigas que sinalizam, na escuta da Palavra e no comprometimento com ela a mensagem de Jesus. “As CEBs, no seguimento de Jesus, têm a Palavra de Deus como fonte de sua espiritualidade e a orientação dos pastores como guia que garante a comunhão eclesial. Desenvolvem seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados e são expressão visível da Opção Pelos Pobres” (DA 179).

     Todos os que atuamos no campo da aids, recebemos também uma palavra de alento dos bispos reunidos em Aparecida. Eles foram sensíveis ao nosso apelo e podemos, agora com alegria, partilhar que o documento trata o tema do HIV e Aids em três perspectivas:

  1.      Reconhece que a epidemia existe e é uma preocupação para a igreja. Em três lugares no documento, os bispos manifestam sua relevância:

a)“nos preocupam também os usuários de drogas, os portadores de necessidades especiais, os doentes de tuberculose, malária e HIV/aids, que sofrem de solidão e se vêem excluídos da convivência familiar e social” (DA 65).

b)tratando da situação de pobreza das crianças e adolescentes, enumeram como uma das situações mais difíceis “as crianças portadoras de HIV” (DA 199)

c)enumerando os novos rostos de pobres que a globalização faz emergir em nosso continente, os bispos citam, entre muitos outros “os doentes de HIV” (DA 402)

   2.     Em segundo lugar, a Igreja assume o compromisso claro de atuar neste contexto da epidemia. Por isso os bispos sugerem que em todas as dioceses (“igrejas particulares”) seja fomentada uma pastoral específica para esse serviço: “consideramos de grande prioridade fomentar uma pastoral com pessoas que vivem com HIV/aids, em seu amplo contexto e em seus significados pastorais: que promova o acompanhamento integral, misericordioso e a defesa dos direitos das pessoas infectadas; que implemente a informação, promova a educação e a prevenção, com critérios éticos, principalmente entre as novas gerações, para que desperte a consciência de todos para o controle desta pandemia” (DA 421).

   3.     Significativa é também a palavra dos bispos, em sintonia com as metas do milênio, de defender o acesso universal dos medicamentos: “Desde a V Conferência pedimos aos governos o acesso universal dos medicamentos para a aids nas doses necessárias” (DA 421).

           Diante desta palavra oficial da igreja, cabe aos que estamos envolvidos e comprometidos com a prevenção e o acompanhamento das pessoas que vivem e convivem com HIV, redobrar nossos esforços e iniciativas para que a vida seja defendida como bem maior. Ao mesmo tempo, precisamos caminhar para que os diretamente afetados pelo HIV possam tornar-se protagonistas de sua caminhada e sujeitos da ação evangelizadora.

 

Brasil

 

     No dia 14 de agosto aconteceu na Câmara dos Deputados, em Brasília, a III Conferência da paz. O tema abordado foi "Direitos Sociais - A paz em construção". A temática lembra que a paz não é somente ausência de guerra, mas um processo em permanente construção. Paz é a garantia dos direitos e do bem comum. Sem direitos políticos, sociais, econômicos e culturais não há garantia dos direitos humanos, base para a paz. A Conferência foi dividida em três painéis: Os desafios da desigualdade; Seguridade social e previdência; Atenção e gestão em saúde pública. O evento contou com a presença significativa de Francisco Witaker, articulador do Fórum Social Mundial. Em sua exposição salientou que "temos já chegado aos dados e todos temos consciência da realidade desigual. É preciso agora somar esforços no agir e para agir é preciso acreditar que é necessário e possível mudar".

 

     Nos dias 14 a 17 de agosto aconteceu na sede do Centro Cultural de Brasília, o encontro dos coordenadores das Pastorais sociais e articuladores dos regionais da CNBB. Este encontro foi o primeiro depois da Assembléia dos bispos em Itaici e da escolha dos novos bispos da Comissão Episcopal de Pastoral para a Justiça, a solidariedade e a paz. Houve partilha dos trabalhos, avanços e dificuldades de cada pastoral e de cada regional mostrando sua realidade à nova equipe de bispos. Na seqüência foi aprofundado a recepção e implicações da Conferência de Aparecida nas Pastorais Sociais; Grito dos excluídos e campanhas nacionais; reforma da previdência e reforma política. Estiveram presentes os redatores dos textos do 2º volume do livro "o que é Pastoral Social". No final, os bispos referenciais das Pastorais deixaram claro o apelo para que cada coordenador de pastoral e articulador dos regionais faça, realmente, as pastorais acontecerem nas dioceses, paróquias e comunidades, pois as pastorais sociais são a presença viva da igreja junto a inúmeros rostos de pobres e excluídos.

 

Otras Noticias...

 

Brasil testa vacina contra Aids em 2009

Estudos com camundongos deram resultados positivos

     Dentro de um ano e meio, o Brasil deve testar a sua primeira vacina contra a Aids em humanos saudáveis. A expectativa é do cientista Edécio Cunha Neto que, desde 2001, coordena uma equipe de 15 pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Juntos, eles trabalham na produção de uma vacina feita a partir de fragmentos do HIV reconhecidos pelo sistema de defesa de pacientes infectados. O método foi patenteado no Brasil e, segundo Cunha Neto, os testes da vacina em camundongos obtiveram resultados positivos.

     “Começamos por pedaços do vírus que o sistema de defesa de mais de 90% das pessoas infectadas já reconhece. Isso nos garantiria que, se fizéssemos a vacina com esses fragmentos e a injetássemos em pessoas antes de serem infectadas, um número muito grande delas iria ter uma resposta de defesa contra essa vacina e, em conseqüência, contra o vírus”, afirma Cunha Neto.

     Até o momento, 200 vacinas foram desenvolvidas no mundo, mas nenhuma das testadas em humanos foi capaz de garantir proteção contra o vírus da Aids, doença que já causou mais de 20 milhões de mortes e hoje afeta cerca de 40 milhões de pessoas no planeta — 500 mil delas no Brasil. Segundo Cunha Neto, ainda será preciso cerca de 10 anos para que a eficácia da vacina possa ser comprovada e o medicamento, oferecido à população. Antes de ser testada em humanos, a vacina precisa ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por conselhos de ética em pesquisa. 

    A pesquisa para a criação da primeira vacina brasileira contra o HIV é um dos temas abordados no 13º Congresso Internacional de Imunologia.

     Fonte: http://odia.terra.com.br/ciencia/htm/geral_118786.asp

 

 

Autor: RECALAC

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